domingo, 9 de outubro de 2011
The Night Has A Thousand Eyes
morto que cai
a
noite revela
um rosto
esconde seus punhais
um
para cada morte
seus
mil olhos
se abrem
essas bocas vulgares
voyeurs
sedentas
piscando
sorrisos
sussurrando
olhares
penetrando os ouvidos
de cada virgem lua
cada alma na rua
deixando
uma mensagem
- O dia só tem um olho,
eu tenho todos,
Carpe
Noctem...
sábado, 17 de setembro de 2011
Meteoritos (ou migalhas do pão universal)
entre um salto quântico e a dança no vácuo
sob o maior silêncio já encontrado
entre asteróides bêbados e satélites estressados
atravessei a Milky Way sem olhar o semáforo
atrasado para ver o parto daquela nova estrela
que já chegou ao quarto
crescente, nos braços e seios de uma nebulosa
mãe-constelação acolhedora e radiosa
*
se somos feitos de cordas
segundo a teoria
ainda sou violão desafinado
tocando acordes dissonantes
serei ainda uma guitarra Gibson
em voos-solos cortantes?
a vida seria então uma partitura
cheia de escalas e lacunas
notas e cifras complexas, indeterminadas
uma sinfonia cósmica inacabada, eterna
e regida por um maestro sem batuta?
*
outros físicos dizem que além de cordas
o cosmos tem membranas
multiversos flutuantes, multidimensões entrepostas
cada membrana é um universo
cada universo um objeto orgânico de mesma substância
cada universo é como um pão
de massas e sabores diferentes
num café da manhã estelar
e em cada fatia, uma dimensão existente
não há dentro ou fora, miolo ou casca
seriam os deuses astronautas
tomando pingado numa padoca cósmica?
*
teorias e relatividades à parte
senhores Copérnico, Galileu, Newton, Einstein
da metafísica à física quântica
me importa mais a quantidade de gravidade
na dinâmica e mecânica dos corpos carnais aos celestes
quantos gravitons e magnétons são necessários
para que dois leigos se atraiam
e ocupem por um momento o mesmo espaço-tempo
e caiam, vertiginosos como meteoros
mas amortecidos por uma cama desavisada?
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
O amor nos tempos da web
1.0
Ele a curtia todos os dias
quando visualizava seu perfil
acompanhava atentamente as postagens,
vídeos, álbuns de fotos,
mudanças de avatar
e deixava comentários espertos
Começaram a conversar
primeiro pelo chat, google talk,
depois pelo skype
horas e horas teclando confidências
viram a casa de um e do outro pelo street view
Marcaram um encontro
num lugar localizado pelo google maps
2.0
E então ficaram de repente
sem conexão
ela se sentiu como um modem desplugado
ele não lhe dava mais atenção...
Ela esperava ele aparecer, olhando da janela aberta
do MSN
mas ele sempre estava ocupado ou ausente
tantas mensagens offline não respondidas
quantas frases poéticas, versos de música, Ctrl C+Ctrl V
Beijusss, Bjos, Bjs, S2, reticências...
sorrisinhos de pontuação :) e carinhas amarelas sem expressão
era difícil encontrar um emoticon
que representasse o sentimento à altura
da espera, da angústia, da resposta, solidão
Nem as cutucadas e estocadas de carinhos, tuitadas melancólicas,
retuítes de sentimentos alheios mas tão seus
Depoimentos, DM's, declarações diárias subliminares no fotolog
Onde estava o amor? O quê era o amor?
3.0
Ela procurou no google
pois nem o yahoo tinha muitas respostas
E entre o wikipedia, os blogs e o tradutor
inúmeras definições:
"[Do lat. amore.] S. m. 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa: amor ao próximo; amor ao patrimônio..."
"Amor é quando alguém te magoa, e você, mesmo muito magoado, não grita, ... " Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos..."
o amor é paciente
o amor é benigno
o amor é filme
o amor é contagioso
o amor é assim
o amor é outra coisa
Gostou mais dessa que viu no Citador:
"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer."
Era de um tal de Camões.
E mesmo sem muito entender
curtiu e compartilhou.
"Será que cabe em 140 caracteres?", ela logo pensou.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Tantas Letras 1

Vidas em vãos
Enquanto o trem da vida passa
as pessoas estão preocupadas em pegar o metrô
subir e descer a escada com pressa
o bilhete carregado para a batalha diária
os comentários do futebol de ontem
as contas para apagar amanhã
o ponteiro do relógio troteando com calma
enquanto o trem de aço não passa
Entre o vão do trem e a plataforma
vidas são lançadas
entre pãos de queijo, latas, embalagens plásticas
suicidas
para baixo ou para dentro do vagão
dentre portas automáticas e vozes robóticas
entre solavancos, cegos e mancos
a pressa, o destino, o trabalho, o patrão
Enquanto a estação de metrô não chega
o retrato da cidade escorre pela janela
algum pensamento passa
pelo camelô correndo do guarda
pelo fone do player ou a música no celular
pelo assento preferencial
que um jovem magro e sadio ousou sentar
a vida não parece tão bela
Enquanto o trem da vida passa
as pessoas estão preocupadas em pegar o metrô
depois de meia hora dormida ou acordada
a estação chega
preocupações continuam
a pressa é a mesma
o metrô dinamiza o transporte
encurtando distâncias
pensamento
não há tempo
só minutos
a espera
entre o vão,
o trem
a plataforma
e nada mais
importa
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Microconto 6 - O amor é um torpedo

14:26 - Oi amor, tdo bem? Ja cheguei na casa da praia. Naum ta calor, mas faz mormaço. Vai ser mto bom passar esse fds com vc, Beijos, te amo d+
16:38 - Amor, decidi dar uma volta no calçadao. Ta cheio de gente nos quiosques. To tomando um sorvete e pensando em vc. Como tá o trabalho? Q horas chega aki? Te espero, bjos. Te amo s2
18:23 - Amor, vc tá recebendo meus torpedos? Ta com raiva de mim? Já disse pra gente esquecer aquilo. Vem pra ca, vamos recomeçar. Te espero, beijos, te amo mto
20:35 - Estou tomando caipirinha agora. Penso no q aconteceu e tenho vontade de chorar. O mar está lindo, acho q vou entrar nele. Vc vem? Nao me odeie por favor, te amo tanto...
Baseado em mensagens que recebi um dia por engano no meu celular. Infelizmente não pude responder e avisar, pois meus créditos tinham acabado.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Microconto 5

Rodava com seu táxi pelas ruas da vida. Sempre em alta velocidade, tentava driblar o trânsito e encontrar atalhos para satisfazer a pressa dos passageiros.
Levava sempre uma arma embaixo do banco, “para se defender da bandidagem”, dizia. Mas talvez seu rosto carrancudo já fosse o suficiente.
Já não saía mais nas folgas, nem para beber o uísque da madrugada, nem a cerveja do domingo no boteco da vila. As damas do amor pago também já não lhe arrancavam mais sorrisos.
A bandeira dois de seu peito já não era acionada há muito tempo. Era divorciado.
E de tanto conhecer a cidade, os caminhos para qualquer lugar ou lugar nenhum, tantas pessoas, tantos destinos, um dia perdeu-se de vez.
O itinerário para chegar a si mesmo nem sempre é fácil de se lembrar. E não há asfalto, mapas ou placas para facilitar.
domingo, 29 de maio de 2011
meio ultra-romântico...

...e meio bobo, ingênuo, mas eu gosto dele. É de 2008. Ah, as paixões, sempre nos inspirando...
carvão
de choro embotado em lágrima
feito ferida estancada em sangue
ardem os olhos em brasa
impedindo que eu os arranque
veio súbita como a morte
a chama fez do corpo um abrigo
não quero que ninguém se importe
só a sombra queimará comigo
nada sai ileso da espada e dos braços
desse terrível anjo sereno que veio
restam apenas os pedaços
de um amor quebrado ao meio
o ego cimenta a angústia
desilusão é tijolo duro
massa corrida de lamúria
ergo dentro de mim um muro
o corpo é o carvão da alma
que o consome em gozo nas piras
de luxúria, da paixão e do nada
o coração se afoga nas cinzas
quinta-feira, 5 de maio de 2011
On the road, again
Aqui vou eu, mais uma vez
com os pés no asfalto quente
a estrada se insinuando
à minha frente
passo após passo
respirando a poeira que se fez
A cabeça erguida
os ombros ainda pesados
dos últimos fardos
a bagagem acumulada
de viagens passadas
a despedida, a chegada
ficaram nas estações,
nas curvas, nos acostamentos
da vida e mediações
Seguir à próxima parada
próxima montanha, desfiladeiro
rochedo
praias, ilhas
um remoto vilarejo
o próximo encontro
rumo ao desconhecido e além
Aqui vou eu, mais uma vez
caminhando, cantando
flertando, sonhando,
sozinho
ou acompanhado de alguém
Sem mapa
sem mala
sem placa
sem destino
sem origem
só a miragem
só a vertigem
só o vento como carona
o sol como bússola
a lua como guia
rumo ao desconhecido e além
quinta-feira, 3 de março de 2011
Chris
Esse vc já leu, foi o que eu humildemente te dei no seu aniversário.
Descanse em paz, como nunca antes descansou. Seja feliz como sempre e como nunca dantes foi... e me olhe, me acompanhe e me ilumine com seu brilho.
Te amo e te levo pra sempre comigo, até o fim da minha vida.
Beijos e mais beijos, daqueles que só nós demos...
Saudade....
Quando nosso lábios conjugaram
o verbo beijar
faíscas logo se espalharam
e começaram a queimar
o pavio da nossa dinamite
Essa TNT (Tu-Nós-Tesão)
foi explosão sem limite
de destruição
braços e pernas de napalms verticais
devastação
de planos etéreos
e círculos infernais
Copos, risos, noites, beijos
trocados, molhados
doses de alegrias e dores
sempre em excessos
nosso corpos rimam
mais líricos que versos
Nosso livro é poema em prosa
romance de comédia e drama
páginas com espinhos e perfume de rosas
semeadas de paixão em nossas camas
Nossa música tem estilo misturado
sou samba-jazz-bop suingado
você é salsa, merengue e hard rock pesado
Corpo de serpente sibilante
preparando o bote final
encanto de olhar lancinante
sorriso de beleza letal
Mas sua meninice
sua alegria
sua fantasia
que brutos e putos sufocaram
ou tentaram
É o que mais me encanta em ti
você me faz sentir
melhor do que sou
me faz ver
me faz crer
me faz ser
me faz feliz
desde que que te conheci
Chris...
Descanse em paz, como nunca antes descansou. Seja feliz como sempre e como nunca dantes foi... e me olhe, me acompanhe e me ilumine com seu brilho.
Te amo e te levo pra sempre comigo, até o fim da minha vida.
Beijos e mais beijos, daqueles que só nós demos...
Saudade....
...
Quando nosso lábios conjugaram
o verbo beijar
faíscas logo se espalharam
e começaram a queimar
o pavio da nossa dinamite
Essa TNT (Tu-Nós-Tesão)
foi explosão sem limite
de destruição
braços e pernas de napalms verticais
devastação
de planos etéreos
e círculos infernais
Copos, risos, noites, beijos
trocados, molhados
doses de alegrias e dores
sempre em excessos
nosso corpos rimam
mais líricos que versos
Nosso livro é poema em prosa
romance de comédia e drama
páginas com espinhos e perfume de rosas
semeadas de paixão em nossas camas
Nossa música tem estilo misturado
sou samba-jazz-bop suingado
você é salsa, merengue e hard rock pesado
Corpo de serpente sibilante
preparando o bote final
encanto de olhar lancinante
sorriso de beleza letal
Mas sua meninice
sua alegria
sua fantasia
que brutos e putos sufocaram
ou tentaram
É o que mais me encanta em ti
você me faz sentir
melhor do que sou
me faz ver
me faz crer
me faz ser
me faz feliz
desde que que te conheci
Chris...
Para Christiane de Souza Costa (1970-2010)
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